Não há dúvida de que são as mulheres que mais sentem todas as mudanças físicas, psicológicas e de estilo de vida que acompanham a chegada dos filhos. Mas os homens também experimentam muitos medos e inseguranças diante das transformações que a paternidade traz para sua vida e a do casal. "No processo da gestação, o foco vai para a mulher e para o bebê, tirando o foco do masculino nas relações heterossexuais. E muitos homens não conseguem lidar com essa falta", explica a sexóloga Ana Canosa, apresentadora do podcast Sexoterapia.
Foi o que aconteceu com Tiago, 39, de São Paulo. Ao podcast, ele contou que o seu casamento acabou seis meses após o nascimento de seu filho. "Na verdade, começou a terminar já no finzinho da gravidez. Tive o que a minha ex-mulher chamava de 'síndrome de Peter Pan', comecei a achar que eu era jovem demais para ser pai. Eu surtei, fui infantil e egoísta", diz. Tiago lembra que, na época, tinha 29 anos, e achava que perderia a juventude, que não daria conta. "Quando nosso filho nasceu, acabou tudo de vez: o desejo e o casamento."
A solução no diálogo Para o fotógrafo, escritor, e roteirista Pedro Fonseca, que está casado há 14 anos e é pai de quatro filhos, a história de Tiago é um exemplo típico da falta de diálogo prévio entre o casal sobre gravidez, gestação, e, principalmente, puerpério. Ele conta que nunca tinha ouvido a palavra puerpério, a fase do pós-parto em que as mulheres experimentas muitas alterações físicas e emocionais. "De repente, essa palavra surgiu, e com ela também surgiu uma nova companheira e um novo eu. Os homens precisam se preparar melhor para essa fase", diz. Sobretudo no que diz respeito à vida sexual do casal, uma das principais queixas masculinas.
A falta de desejo e de sexo após a chegada dos filhos é uma queixa frequente. Cerca de 48% dos homens disseram que sua vida sexual piorou após a chegada dos filhos, conforme pesquisa divulgada em 2018. Outro estudo feito com dois mil pais britânicos mostrou que um a cada 5 casais não tem relações sexuais após o nascimento dos filhos. Segundo Ana Canosa, a parceria entre o casal durante a fase da gravidez e do puerpério é determinante para a retomada da vida sexual, sobretudo no que diz respeito ao desejo da mulher. "Faz toda a diferença para a mulher saber que tem um parceiro com quem pode contar, mesmo nas fases em que o sexo não é prioridade na relação, para que o desejo seja retomado lá na frente", diz.
Texto retirado do site https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/11/30/depois-da-chegada-do-meu-primeiro-filho-o-desejo-e-o-casamento-acabaram.htm


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