“Eu quero levar uma vida moderninha. Deixar minha menininha sair sozinha. Não ser machista e não bancar o possessivo. Ser mais seguro e não ser tão impulsivo. Mas eu me mordo de ciúme.”
Ciúmes não é coisa nova. Quatrocentos anos atrás, William Shakespeare escreveu “Otelo, o Mouro de Veneza”. Na história, um nobre desconfia que a mulher mantém um relacionamento com um criado. O final – que não deve nada a Nelson Rodrigues, outro mestre do ciúmes – mostra o protagonista matando a amada para depois, ao descobrir que ela era inocente, se suicidar.
De lá para cá , o assunto foi tema de tudo quando é tipo de arte, música, obra literária e estudo acadêmico. Tudo isso por um motivo: o ciúmes ainda é um do defeitos masculinos que conseguem foder o melhor dos relacionamentos.
Há quem diga que sentir ciúmes é normal. Um leve grau de pode ser um sentimento de preservação ao redor de algo que gostamos. Porém, por muitas vezes, o ciúmes ultrapassa a barreira do bom senso. Aí vira doença. O sentimento de medo de perder algo que gosta desperta o pior do ser humano: raiva, medo, tristeza, ansiedade… Incapaz de entender o que passa dentro de si, o mais fácil a se fazer é botar a culpa na parceira.
“Ela age como uma vagabunda. Ela se veste como puta. Ela sai com as amigas. Ela dá atenção para outros homens. Ela fala com outros caras. Ela sai de casa sem minha autorização. Ela vive a vida dela sem que eu eu deixe…” O ciúmes faz com que um homem esqueça algumas das premissas básicas sobre um ser humano: o fato de que não somos propriedade de ninguém e que uma mulher é uma pessoa e não um objeto ou animal de estimação ao qual você possa dar ordens. Sim, pode parecer uma surpresa para alguns mas: Ela não é SUA, ela está com você.
SÍNDROME DE ESTOCOLMO
Ao mudar o status no Facebook, sua namorada não está aceitando um termo de concessão para você governá-la ao seu bel prazer. Ela está com você por uma escolha e, ao forçar os limites do relacionamento, do dia para a noite ela pode simplesmente não estar mais. O problema é que muitas mulheres ainda acham o abuso normal. Muitas porque não sabem q tem solução, outras porque simplesmente acreditam não ter outras opções de vida. Quase como uma Síndrome de Estocolmo, nome dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia perante o seu agressor. Um mal aplicado a sequestradores, molestadores infantis e a homens ciumentos. Assim começam os relacionamentos abusivos.
Muitos caras se sentem confiantes em estar em um relação mais baseada no medo que ela tem de terminar do que namoro a base de amor e cumplicidade. Como dizia Maquiavel: “É mais fácil ser temido do que ser amado”.
Pouco a pouco, quando um cara vê que suas ameças verbais “não funcionam”, resolve partir para medidas mais drásticas: um beliscão, um chacoalhão, um tapa na cara, um soco… Pode parecer meio dramático, mas uma pesquisa do Data Senado apontou que o ciúmes é a segunda causa pela qual mulheres sofrem violência doméstica.
CONFISSÃO DE UM CIUMENTO
Abrir mão do ciúmes significa gostar mais de você mesmo e estar seguro. É acreditar que você é uma pessoa boa e com qualidades e que sua parceira está com você por um motivo. É acreditar mais no seu taco e parar de ficar criando histórias na sua cabeça. Você pode cercear as liberdades delas o quanto quiser, mas se não for um cara legal, ela pode simplesmente ir embora. Como sabiamente disse meu amigo Victor Costa, em um post no Facebook: “O que prende o boi no pasto não é a cerca. É o capim”. Quanto a mulheres que causam ciúmes de propósito ou por qualquer outro motivo, afaste-se delas. O mundo está cheio de mulheres incríveis para conhecer e você não precisa ficar perto de uma que te ponha para baixo ou cause problemas na sua vida. De resto, seja feliz. :D





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